• 22:10
  • 17 de Maio, 2012
HOME DANÇA NOTÍCIAS 30 ANOS DE HISTÓRIA DA DANÇA NO PALCO DO CCB
30 anos de história da dança no palco do CCB

30 anos de história da dança no palco do CCB

A bienal Artista na Cidade com Anne Teresa de Keersmaeker arranca com 'Fase' (hoje) e 'Rosas danst Rosas' (amanhã).



Começa-se pelo princípio. A coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker é a protagonista da primeira bienal Artista na Cidade, e vai apresentar, com a sua companhia, a Rosas, mais de uma dezena de espetáculos ao longo deste ano em Lisboa. Começa-se pelo princípio e, por isso, o ciclo abre com "quatro peças da juventude", que serão apresentadas no Centro Cultural de Belém: hoje, 'Fase, four movements to the music of Steve Reich' (1982); amanhã, 'Rosas danst Rosas' (1983), no dia 7, 'Elena"s aria' (1984) e, no dia 9, 'Bártok/Mikrokosmos' (1987).

"São as minhas primeiras peças e voltar a dançá-las é também uma forma de o público se ver a vê-las", diz a coreógrafa, de 52 anos. De refletirmos em conjunto sobre o que se passou nestes anos todos e é verdade que alguns dos que se irão sentar na plateia do CCB não estarão a ver as obras pela primeira vez. "É algo especial".Até porque, ela sabe-o, vai chegar o dia em que já não irá conseguir dançar estas peças. "Daqui a dez anos, provavelmente, já não o irei fazer." Ninguém pode fugir ao envelhecimento. Sobretudo se for mulher. Ainda mais se for bailarina. "Sentimos o tempo a passar no nosso corpo. Já não sou uma miúda de 20 anos e sinto-o ao dançar estas peças. Mas como toda a gente diz, também se descobrem outras coisas, aprendemos a desfrutar. Espero que a experiência seja uma mais valia no meu trabalho, que isso se note", e ri-se.

Hoje é dia de ver Anne Teresa a usar o seu corpo experiente, de professora e mãe, para dançar uma peça criada há 30 anos, quando era ainda uma jovem a experimentar ao som de Steve Reich - o músico que tanto a influenciou e que voltaria a usar em outras peças. A ligação entre o movimento e a música, algo tão característico da sua obra, começou neste 'Fase' em que Keersmaeker e Tale Dolven "usam a repetição com um efeito quase alucinogéneo", como escreveu o crítico do The Guardian Luke Jennings.

Sábado, a coreógrafa não dança, mas o palco voltará a ser ocupado só por mulheres: 'Rosas danst Rosas' foi a peça que catapultou a companhia Rosas para o mundo e que se tornou a mais emblemática peça de Keersmaeker (e isto aconteceu muito antes de Beyoncé a ter imitado). O estilo minimalista de 'Fase' é aqui aplicado à música de Thierry De Mey e Peter Vermeersch, que foi composta ao mesmo tempo que a coreografia.

"O mundo mudou muito e o facto de continuar a fazer estas peças e que elas continuem a dizer algo, embora diferente do que diziam, também tem um significado", diz Keersmaeker. Mas, na obra de Anne Teresa, como nesta bienal - estas peças são mesmo só o começo.

Fonte: Diário de Notícias

+ Comente

  • Aguarde um momento...

+ Votar

  • 1
  • 10
topo
publicidade
Faixa publicitária - Stellar_250x250