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  • 09 de Fevereiro, 2012
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Leopoldo Abadía

Leopoldo Abadía: 'Estamos numa fase em que as pessoas têm de trabalhar como nunca'

Diz que não sabe nada de Economia, mas os números falam por si: 3 milhões de visitas ao seu blogue, 11 edições e 150 mil exemplares do seu livro vendidos em Espanha, 350 conferências num ano, 600 artigos publicados na imprensa. Leopoldo Abadía esteve em Portugal e falou com o Cultura Online sobre o êxito do seu primeiro livro ‘A Crise Ninja’.

Pai de 12 filhos e avô de 38 netos Leopoldo Abadía diz ter vivido sempre em crise. Com uma linguagem bastante simples e um sentido de humor apurado resolveu explicar a Crise ‘à sua maneira’. O êxito foi tamanho que um ano depois viaja um pouco por todo o mundo para explicar o que é, afinal, a crise. Mas como terá tudo começado?


Um dia o Leopoldo decidiu que deveria elaborar um ‘dicionário’ com as palavras que não conhecia e tentar explicar a crise pelas suas próprias palavras, de uma forma clara. De repente esse dicionário começou a chegar a muita mais gente, não foi assim?
Pensei escrever um dicionário para mim copiando conceitos dos jornais e, como era só para mim não me preocupou em nada a exactidão. Acontece que em Janeiro de 2008 apareceu um conceito novo no dicionário: a palavra crise. E em vez de quatro ou cinco linhas escrevi seis páginas sobre a crise! E lembrei-me de enviar o ‘dicionário’ a um amigo meu. Perguntei-lhe: ‘o que achas?’. Ele disse-me que tinha gostado e que o tinha enviado a dois ou três amigos. Ao fim de quinze dias o documento chegou ao meu escritório com uma nota que dizia ‘Não sabemos quem o escreveu, mas pelo estilo deve ter sido um jovem estudante universitário’. Então o Gonzalo, meu manager [filho] decidiu criar um blogue e esse blogue teve rapidamente três milhões de visitas! Fui contactado pela Editorial Espasa, do Grupo Planeta, que me convidou para escrever o livro. Eu nunca tinha escrito um livro, nunca! Nem pensava escrever. Mas escrevi-o e está a correr muito bem. A Planeta em Portugal vai vender centenas de milhares de livros! (risos).

O Leopoldo, aclamado como o novo guru da Economia, continua a dizer que de Economia nada percebe e que tudo aquilo que diz é senso comum. No entanto fá-lo com uma linguagem muito simples, mais acessível, utilizando a ironia e comparando situações que parecem complexas a simples casos do dia-a-dia, utilizando a ironia. É este o sucesso do seu livro?
Sim, agora sou o guru. Eu sou o guru. (risos). Mas não sei nada! Eu digo a toda a gente que não sei nada, que é preciso ter cuidado porque posso dizer coisas muito graves, erros gravíssimos. Nas conferências fazem-me perguntas e eu digo sempre: não sei nada. Eu escrevia o tal ‘dicionário’, como disse, para eu entender. E por vezes quando copiava algo que não entendia pensava ‘isto deve querer dizer isto…’. A minha surpresa foi: entenderam todos? Escrevi para mim e de repente toda a gente começou a dizer: ‘oh que guru!’. Uma senhora perguntou-me o que achava da cotação do dólar no Brasil. Parece-me muito bem (risos). Uma coisa de senso comum é algo que contamos e toda a gente percebe. No outro dia o professor João César das Neves, que é um sábio, fez uma crítica ao meu livro que eu até pensei que ele estava a falar de outro livro qualquer (risos). E no final falou sobre três coisas que não estavam bem no livro e outras que faltavam. A este livro falta isso e cem outras coisas! Acho que se há algo de divertido nisto tudo é o facto das pessoas consideram guru aquele que fala simplesmente espanhol, no caso da Espanha. Aquele que fala umas coisas que não se entende, o verdadeiro guru, foi agora substituído por outro guru, eu! (risos). 

Pensa que as pessoas não percebiam a crise quando os responsáveis apareciam na televisão e utilizavam uma linguagem mais complexa, por assim dizer…
Quando me dizem: ‘porque falam tão raramente?’. Não sei. Pode ser porque não sabem o que dizer. Pode ser porque não querem dizer. E podem ser as duas coisas juntas (risos). De vez em quando leio algum artigo e como não percebo nada, deixo-o. Parece-me muito mais honrado. Eu conto no livro que o meu primeiro dia de trabalho na Business School nos Estados Unidos foi complicado. Trabalhei muito com o director da Escola e ele era um homem que tinha um interesse enorme em ensinar-nos a pensar. Quando havia qualquer problema e dizíamos: ‘vou ver o que diz tal livro’, e ele dizia: ‘não, pega numa folha de papel em branco e pensa’. E isso é muito duro. Uma hora mais tarde ainda não me tinha lembrado de nada. Quando pensas e começas a entender o que se passa as coisas ficam-te muito claras. E penso que foi isso que aconteceu com este livro e esta é, por assim dizer, a minha ‘gurulândia’.

Devido ao lançamento deste livro o Leopoldo neste momento passa cerca de 10 horas por dia a dar conferências, a ensinar um pouco por todo o mundo. Este livro acaba por ser também um fruto da internet, dada a repercussão que teve o seu blog, não é assim?
Sim, claro. O livro é um produto da internet. Eu sou um produto da internet. O meu manager [ filho Gonzalo ] e a mãe dele, minha mulher, chamam-me ‘o produto’ (risos). Este foi um fenómeno tão inesperado… foi um ano que não podia imaginar. Não imaginava estar aqui a dar esta entrevista. Penso que tínhamos cerca de 320 conferências para este ano e já dei cerca de 200.

E foi um processo muito rápido…
Até Julho de 2008 tinha feito algumas entrevistas por telefone, mas muito poucas. Mas no final de Julho a agência de notícias espanhola EFE distribuiu a entrevista pelos jornais espanhóis. Como em Agosto os jornais não têm notícias, todos publicaram o mesmo e ainda para mais em tamanho grande, para preencherem mais espaços (risos). De seguida, ainda em Agosto, fizeram-me cerca de 60 entrevistas, para a rádio e para a televisão. Em Setembro fui a um programa da televisão muito famoso em Espanha, o ‘Buenafuente’ e entendi-me muito bem com o humorista. A partir daí passei a colaborar com o programa. E comecei também a participar num programa da Antena 3de uma jornalista chamada Susanna Griso, onde vou todas as semanas. E estas duas coisas foram tornando-me famoso! Agora para acabar, a Repsol, pediu-me para fazer uns anúncios publicitários! (risos). Já fiz dez anúncios para a Repsol. Estive doze horas a gravar, quarenta pessoas só para mim!

Faz coisas que nunca imaginou… 
Nunca! Agora estou todos os dias nas televisões em prime-time! E as pessoas param-me na rua e pedem-me autógrafos! (risos). E eu penso: 'não pode ser!'.

No livro escreve que houve, no meio desta crise económico-financeira, uma outra crise: a crise de comunicação. Qual é a sua opinião? Houve de facto um interesse em que as pessoas não percebessem a verdadeira dimensão do problema?
Penso que em alguns países em concreto a situação foi de facto ocultada. Por exemplo, em Espanha. Claramente. Havia eleições, inclusivamente acusaram de anti-patriotas os que disseram que havia uma crise. Depois das eleições, reconheceu-se que existia uma crise e muito séria. Ou seja, escondeu-se intencionalmente, mas parece-me que, apesar disso, era algo que estava muito claro. Não era preciso ser economista para se saber o que se estava a passar. Eu não percebo nada de Economia. Uma jornalista disse-me no outro dia ‘você é muito humilde’ e eu respondi: ‘muito humilde, mas não sei nada de Economia’. Agora já se reconhece que havia uma crise e reconhece-se que é muito séria, muito grave. Eu penso que a crise é muito grave porque o fenómeno da Internet também contribui para isso. O que acontece hoje aqui sabe-se nos Estados Unidos dentro de um segundo. E na Rússia dentro de outro segundo. Esta fase da aldeia global, do povo global é isto.

Este acaba por ser, até agora, o maior impacte da aldeia global…
Claro. No meu livro falo de um povo médio imaginário que é San Quirico. O que acontece em San Quirico, o que acontece em Dakota sabe-se em San Quirico num segundo. Isso é a crise. Por isso é muito séria. A globalização parece-me algo muito bom mas o que acontece é isto: sermos ‘um só povo’ tem as suas vantagens e os seus inconvenientes. 

Pensa que nesta altura há uma confiança generalizada nas Instituições?
Sim. Para mim, uma desconfiança generalizada fundamentalmente nas instituições financeiras. A minha desconfiança, por exemplo. Eu tenho desconfiança absoluta nas entidades financeiras, absoluta. E penso que nos Estados Unidos falharam os reguladores e as agências de ratting, para a avaliação dos riscos. O problema é que funcionaram mal. Mas para mim, os grandes culpados são as entidades financeiras. Primeiramente as americanas. Mas depois todas as do mundo, ou quase todas (risos).

Na sua opinião, da parte dessas instituições financeiras, o que houve foi ambição a mais e prudência a menos? Ao fazerem as hipotecas-porcaria, como lhes chama, aos Ninjas?
Sim, porcaria é o nome técnico (risos). Pacotinhos de porcaria. As entidades financeiras americanas, quando a reserva federal baixou muito as taxas de juro, começaram a ver que perdiam negócio. Então lembraram-se de dar hipotecas aos Ninjas: pessoas sem rendimentos, sem trabalho e sem bens, gente, que logicamente, não é de confiança. O lógico era desconfiar! Qualquer um que olhasse para isto via que este era um negócio perigosíssimo. Por isso, para mim, a cara de surpresa de ‘que horror, o que aconteceu?’... Eu já o sabia! Há um vídeo, de dois humoristas ingleses que está no You Tube que é muito bom. E que fala do mesmo que eu, mas seis meses antes. Por isso eu digo que, em Janeiro de 2008, quando ainda ninguém sabia, pelo menos sabíamos nós os três! Os dois humoristas e eu! (risos). As autoridades económicas éramos nós. Os bancos pensaram em dar créditos hipotecários aos Ninjas, valorizando a casa em 70 e dando-lhes 100. E claro, os Ninjas, aproveitando o dinheiro compraram um carro, foram de férias, acabaram por gastar o dinheiro todo. Os bancos americanos, quando acabou o dinheiro, titulizaram as hipotecas. Nesses pacotinhos puseram as hipotecas boas, as regulares, e as ‘porcaria’ e venderam-nas a todos os bancos de caixas de aforro do mundo. E disseram: todo o dinheiro que chegue será para amortizar as boas. Se sobrar algo, as regulares e se ainda sobrar algo, as ‘hipotecas-porcaria’. Tudo isto estava estruturado para que o sistema imobiliário americano reagisse como esperado. O banco americano pensa: ‘eu valorizo a casa em 70, dou 100 e se o Ninja não paga fico com a casa e vendo-a por 200’. Era um bom negócio. Mas o que acontece é que o Ninja não paga, porque sabe que, afinal, a casa pela qual paga 100 afinal vale 50. E deixa de a pagar. E o que acontece é que os bancos socorrem-se uns dos outros e em todo o mundo os bancos sobem os juros. No mercado interbancário, o juro da Euribor, sobe e, a minha hipoteca sobe. Se antes eu retirava uma certa percentagem do meu salário para a hipoteca, agora tenho de tirar mais, o que me vai deixar com menos dinheiro para gastar. Tudo isto me parece muito simples.

Ouvimos diariamente um certo apelo ao consumismo para animar a economia. Concorda com esta visão? Não foi um pouco como isto tudo começou? Por um consumismo descontrolado?
Agora ouve-se muito que ‘há que consumir’. A mim não me agrada nada. Eu digo sempre que sim, que há que consumir. Mas tenho de ir a um café e pedir dez cafés? Não, peço só um. O que é preciso é gastar o normal. O que me parece é que durante muitos anos as pessoas gastaram mais do que o normal. Quando me perguntam: ‘o que recomenda? Cartão de débito ou cartão de crédito?’ digo sempre: de débito! Porque senão entusiasmas-te! No outro dia num programa de televisão em Espanha perguntaram-me se teríamos de voltar aos velhos valores. Os valores não são velhos nem novos. São valores. Quando me dizem: ‘há que voltar ao valor de não roubar’, sim, claro; ‘há que voltar ao valor de não mentir...’, sim, sim; ‘há que voltar ao valor de trabalhar’, sim.

Mas esses são os valores que, supostamente, têm se estar subjacentes todos os dias… 
Sim, mas eu não sabia (risos). Agora tenho falado nas conferências de uma coisa que se comenta muito em Espanha e da qual eu não gosto nada, que é a ideia de que há que voltar à cultura do esforço, à cultura do trabalho. A cultura do preguiçoso não existe. Nas empresas onde trabalhei não me lembro de ter lá estado um preguiçoso, porque acho que esses senhores são como um corpo estranho que se auto-extirpa.  Se até agora vivemos bem, agora há que trabalhar mais. Há um bar perto de minha casa, em Barcelona, que colocou um papel a anunciar um novo horário: de segunda a domingo, das 6H00 às 21H00, 15 horas diárias. Há que voltar a isso. (risos). Sim, há que trabalhar mais, há que dar mais voltas à cabeça.

É um optimista?
Para mim há que ter três coisas: optimismo, nada de stress e prudência. O optimismo no sentido que há que trabalhar muito, não no sentido de fazer de conta que não se passa nada, porque passa-se. Mas optimismo é lutar por tirar o melhor partido de uma situação concreta. Eu digo a toda a gente que é proibido falar da crise. O único que pode falar da crise sou eu, para vender o livro (risos). Porque tu falas com alguém e perguntas: 'como vão as coisas?'. E respondem-te: 'pois com a crise…'. Tudo bem, mas vamos trabalhar! Eu vejo em Espanha, empresas que conheço, estão a trabalhar muito porque têm de sair disto. Nada de stress no sentido em que temos de nos focalizar e não fazer tolices que não servem para nada.

Nessa parte do livro fala na necessidade de se criar um modelo, de ter um modelo  pré-estabelecido mentalmente para evitar essas tais distracções, para não se  fazer tolices…
Sim, essa ideia do modelo parece-me algo muito simples. Temos de ter na cabeça, todos, o nosso modelo. Se eu tiro de um lado, o outro lado da balança move-se. Esse é o modelo. Não é mais do que isto. Qualquer mãe de família sabe que, com os ganhos que tem, pode gastar um certo valor. E quando alguém diz ‘quero gastar mais’ tem de saber dizer ‘não’. Não gosto que em Espanha os ministros não tenham o modelo completo para todos. Uns gastam, outros dizem que não podem gastar… Se eu estou numa empresa não posso pensar que sou aquele que gasta e tu és aquele que administra. Se eu quero gastar e tu dizes-me que não há dinheiro, a culpa é tua? Não porque eu  é que não tenho o modelo claro. Parece-me que todos temos de ter um modelo claro, no sentido em que acabamos por dar-nos conta que as questões económicas são muito simples. Se de um lado estão os ganhos e de outro os gastos, o ideal é que se equilibrem. E se os gastos sobem tens que saber muito bem de onde vais tirar o dinheiro para cobrir esses gastos. Creio que é esse modelo que falta àqueles que nos governam, pelo menos em Espanha.

Pensa que há ainda muitos mistérios para resolver sobre esta crise?
Penso que o título ‘mistérios’, que está no livro, é uma questão de…marketing (risos). Digo que não sei nada de economia, não sei recomendar medidas. Não sei que medidas se podem tomar mas acredito que tudo o que seja para ajudar as empresas é muito bom e acho que seria essencial também que os bancos lhes dessem crédito, pelo menos no caso espanhol…

Sente que estes ainda receiam emprestar o dinheiro…Há um sentimento de medo?
Sim, repara: o Banco Central Europeu tinha proposto injectar 442 milhões de euros aos bancos para que os bancos começassem a emprestar dinheiro uns aos outros no mercado inter-bancário, a ti e a mim. Mas os bancos começaram a devolver dinheiro ao Banco Central Europeu, pois não o utilizavam. Não sei o que se há-de fazer para conseguir que os Bancos se decidam… No outro dia quando falava na ‘revolução civil’, um jornalista perguntou-me se queria que as pessoas ateassem fogo aos Bancos … (risos). Claro que não! Mas tu sentes que esta gente não funciona bem. Têm 85/89% de culpa naquilo que está a acontecer agora.

A crise está mesmo na recta final, como já se começa a ouvir? Até quando vai durar?
Quando as pessoas perguntam: até quando isto vai durar? Eu penso que depende da dimensão. Eu costumo dizer que se isto fosse um assunto de 100 euros eu mesmo os  daria e já estava resolvido. Mas é muito mais do que isso, mais de 100 euros (risos). Pelo cálculo que faz o Fundo Monetário Internacional (FMI), os números oscilam entre os 100 mil milhões de dólares e 4 bilhões de dólares. Ou seja, não sabem nada. E eu digo sempre que não se pode fazer caso a alguém que faça estimativas para o final da crise. O que diz Obama, Zapatero, Sarcozy, Sócrates, ninguém, nem Governo nem oposição. Antes diziam que isto acabaria em 2010/2011…eu costumo dizer: acabará quando Deus quiser! E por agora não quer! (risos). Perguntaram-me se isto era uma crise em ‘V’. E eu não sabia o que era uma crise em ‘V’. Então disseram-me: rápida descida e subida. Eu penso que será uma crise em ‘L’. Já descemos e estamos agora numa fase de estabilização. A subida será lenta e não é para já. Nesta fase as empresas privadas terão um papel muito importante. Eu digo empresas, mas ‘as empresas’ não existem. O que existe são as pessoas. E penso que estamos numa fase em que as pessoas têm de trabalhar como nunca e inventar coisas e ‘revoltas’ porque penso que será a única maneira de sair da crise. 

O Leopoldo acredita na revolução civil, como escreve no livro, ou seja, na iniciativa individual. Pensa que começa por aí a solução para sairmos da crise?
Sim. Uma coisa que me desagrada é pensar que os meus problemas têm de ser resolvidos pelos outros, ‘isto que resolva o Governo, que me dêem trabalho’. Sim, mas e tu? Faz algo! Em Lisboa, no programa do Alvim  [Prova Oral, Antena 3], entraram em contacto connosco três ouvintes, jovens, de 28 e 29 anos, que estavam desempregados. Disse-lhes que não tinha pena nenhuma. Tenho pena de um senhor de 60 anos que esteja no desemprego. Mas de um rapaz de 28anos? Disse-lhe: ‘o que tens de fazer é sair de casa, todos os dias, às sete da manhã, e voltar às 10 da noite. E durante esse tempo procura maneiras de arranjar emprego. E garanto-te que no dia 1 de Outubro estás a trabalhar’. O que me parece é que a responsabilidade individual é algo muito sério. E nós estamos um pouco acostumados, pelo menos em Espanha, a que o Governo resolva tudo. Há quem diga: ‘Deus queira que me dêem trabalho’. Procura-o! Há que trabalhar muito procurando trabalho. E isso é a revolução civil.

O seu conselho para enfrentar a crise é…
No fim vamos voltar à mesma ideia de sempre. É preciso trabalhar. Em primeiro lugar trabalhar. Em segundo não falar da crise. Isso não serve para nada. Em terceiro dar muita importância à responsabilidade individual. Essa é a verdadeira revolução civil.

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