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  • 10 de Fevereiro, 2012
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A Noite das Facas Longas

A Noite das Facas Longas

  • Género

    Outros

  • Público Alvo

    Este livro destina-se a todos os que se interessam pelos acontecimentos históricos do século XX de modo geral e, em particular, por aquele que foi o acontecimento mais marcante do século: a Segunda Guerra Mundial.

  • Quem

    Paul R. Maracin

  • Ano

    2010

  • Link Promotora

  • Editora

    Edições Texto & Grafia

  • Número de Páginas

    192

  • Locais Venda

    • Todo o País

Neste livro, Paul R.Maracin reuniu meticulosamente os elementos dispersos de uma trama de intriga e selvajaria, que ficou conhecida na História como “A Noite das Facas Longas”.

Este acontecimento consistiu na eliminação de milhares de pessoas que Hitler e as cúpulas do Partido Nazi acharam conveniente afastar, a pretexto de se poderem tornar obstáculos às ambições de controlo do aparelho político-militar, na ascensão de Hitler ao domínio da Alemanha.

Antes, foi o incêndio do Reichstag; depois, foi a preparação minuciosa, durante meses, da operação “A Noite das Facas Longas” cujo objectivo era a eliminação física de milhares de pessoas — políticos, chefes militares, membros do aparelho de Estado, democratas — consideradas inimigas pelo núcleo dirigente nazi.

Hitler, Heydrich, Göring, Himmler e Goebbels deram início ao massacre em Munique e Berlim, que se estenderia nos dias seguintes a 30 de Junho de 1934 a muitas cidades alemãs, não se sabendo quantos milhares de vidas terão sido ceifadas nesta operação arrepiante, que mudou, de facto, o curso da História da Alemanha e conduziu o mundo à catástrofe da Segunda Guerra Mundial.


Após terminar uma carreira de vinte e sete anos como investigador criminal no Gabinete do Procurador de San Diego, na Califórnia, Paul R. Maracin tem-se dedicado à escrita, em particular aos temas relacionados com a Segunda Guerra Mundial. Além deste livro notável, Paul R. Maracin tem-se destacado com os seus artigos publicados em influentes órgãos de comunicação americanos, como The Wall Street Journal e a revista World War III, entre outros. Vive em San Diego.


Excerto:

«Estava prestes a realizar‑se um jogo mortal na Alemanha. Começou de manhã cedo, num sábado, dia 30 de Junho. Depois de uma viagem de vinte minutos de Godesberg para Hangelar num comprido Mercedes preto, Hitler e o seu séquito partiram de Bona de avião, às duas horas da tarde. Hans Baur, o piloto pessoal de Hitler, pilotava o aparelho.
Como era hábito, Hitler seguia ao lado do piloto – o seu lugar preferido – e quando o trimotor Junker percorria velozmente os céus, o antigo comandante piloto da Lufthansa ia proferindo os nomes de todas as cidades por onde passavam. Hitler seguia inclinado para a frente, observando, pensativo e em silêncio. O avião aterrou cerca das quatro da tarde no aeródromo de Oberweisenfeld, perto de Munique, onde soldados de capacete aguardavam havia uma hora. O grupo dirigiu‑se imediatamente para o Ministério do Interior onde o chefe da polícia de Munique, August Schneidhuber, que era também o líder de mais alta patente das SA nesta cidade, já fora colocado sob prisão. Schneidhuber foi levado até Hitler, que estava furioso. O Führer, muito agitado, dirigiu‑se ao surpreendido oficial, arrancou‑lhe as divisas e acusou‑o de traidor.
«Tire as suas mãos sujas de cima de mim!», gritou Schneidhuber, incapaz de imaginar o que causara a fúria de Hitler.
«Prendam‑no!», retorquiu Hitler, irado.
O chefe das SA foi arrastado da sala e levado para uma cela na prisão municipal de Munique.
Pouco depois do amanhecer, Hitler dirigiu‑se para Wiessee, onde Röhm e outros líderes das SA ainda dormiam no hotel Hanselbauer. Este hotel, agora conhecido como hotel Lederer, ainda existe, à beira das águas tranquilas do Tegernsee. Ainda não eram sete horas quando Hitler e o seu grupo de assalto constituído por dois carros, que incluía Goebbels, estacionaram à entrada do hotel. Entraram furtivamente, e depois de Hitler ter colocado estrategicamente os seus homens, um oficial à paisana bateu à porta do quarto de Röhm. Foi um rude acordar para o comandante das SA. «O quê? Já estão aqui?», perguntou, ensonado. Esperava Hitler – mas não àquela hora e certamente não com estes modos. Com um revólver na mão, Hitler informou o seu compatriota e antigo aliado político de que se encontrava sob prisão.
Também foram acordados e presos vários outros oficiais das SA que estavam noutros quartos, incluindo o homossexual Edmund Heines, líder das SA em Breslau, encontrado na cama com o seu motorista. Tal como Röhm, foram colocados em veículos do exército e a procissão regressou directamente a Munique. A caravana passou por centenas de cidadãos ao longo do percurso, absorvidos na rotina diária da sua vida, sem suspeitarem de que o chanceler da Alemanha acabara de passar com um carregamento de prisioneiros – muitos já marcados para a morte.
Os líderes das SA começavam a chegar à estação de comboios de Munique, seguindo as ordens dos telegramas de Röhm. Uma vez apeados das carruagens, eram imediatamente levados sob custódia policial por tropas das SS e encaminhados para a prisão municipal de Munique.
Hitler prosseguiu então para o quartel‑general das SA, na Briennerstrasse, que lhe serviria de posto de comando durante o resto do dia.
Completada a fase inicial e mais difícil da operação, Hitler deu a ordem por que todos aguardavam. O sinal para os massacres foi dado às dez da manhã. Goebbels telefonou a Göring, que se encontrava em Berlim, pronunciando o nome de código planeado: KOLIBRI.» (págs. 105-109)

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