O escritor francês Laurent Gaudé (Prémio Goncourt 2004) disse à Lusa que o seu novo romance, "A porta dos infernos", editado esta semana, pode ser visto como "uma fábula contemporânea".
Laurent Gaudé volta neste romance a Itália e ao tema da Máfia, mas em "As portas dos infernos" a "Máfia é apenas o ponto de partida".
"É pelo acaso que uma bala perdida, de uma troca de tiros entre grupos rivais, mata Pippo quando este ia para a escola pela mão do pai", contou o escritor.
A morte de Pippo lança o pai numa busca que o autor explica como "um percurso de descida aos infernos na procura do filho, em vão", acrescentou.
"Este romance pode ler-se como uma fábula contemporânea, já que se trata de uma descida aos infernos, é como uma fábula mitológica, já que não é realista", defendeu o escritor.
A Máfia tinha sido já tema do romance "O sol dos Scorta" com o qual venceu o Prémio Goncourt, mas em "A descida dos infernos", sente-se antes "o peso da máfia numa cidade plena de contrastes, e como a sua sombra pesa sobre os habitantes".
"Em 'A porta dos infernos' trabalhei sobre duas épocas diferentes e optei por capítulos intercalados e curtos por uma questão de ritmo, e de facto cada capítulo é como um quadro", referiu.
A Itália é um ambiente vivencial pelo o qual o escritor afirmou interessar-se, não escusando a possibilidade de voltar num romance futuro, "mas não para já", referiu.
Sobre o romance que está a escrever, Lairent Gaudé não quis adiantar quaisquer pormenores, garantindo que trata "de um universo muito diferente".
"A porta dos infernos", com a chancela da Porto Editora, é o quinto título do escritor de 37 anos editado em Portugal.
Laurent Gaudé deu-se a conhecer ao público português com "A morte do Rei Tsongor" (2002), seguindo-se "O sol dos Scorta" (2004), "Eldorado" (2006) e a colectânea de contos "Noite dentro, Moçambique" (2007).