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  • 10 de Fevereiro, 2012
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Delibes foi 'um grande cronista da humanidade'

Delibes foi 'um grande cronista da humanidade'

O director da Real Academia Espanhola, Victor Garcia de la Concha, afirmou que Miguel Delibes, falecido dia 13, foi “um grande cronista da humanidade".



Miguel Delibes morreu na madrugada de dia 13 na sua casa em Valladolid, cidade castelhana onde nasceu há 89 anos, depois de um agravamento súbito do seu estado de saúde.

Garcia de la Concha afirmou que encontra nos seus livros “a essência de uma maneira de ser, de pensar e de viver”.

Amigo do escritor desde há 40 anos, Garcia de la Concha afirmou que Delibes não ia muito à Academia, a que pertencia desde 1975, “mas seguia de perto todas as actividades”.

O escritor apontado como “eterno candidato ao Prémio Nobel de Literatura”, encontra-se traduzido em várias línguas.

Em Português estão disponíveis dois títulos: "Os Santos Inocentes" (Teorema) que foi adaptado ao cinema tendo o filme sido galardoado em Cannes, e “O Herege” (Publicações D. Quixote).

Já há algum tempo o escritor e académico Arturo Pérez-Reverte propusera a celebração de uma reunião plenária extraordinária na casa de Delibes, em Valladolid (Centro de Espanha), "para ali estudar algumas dessas palavras castelhanas que ele resgatou e as fez viver para sempre nos seus escritos”.

Segundo a EFE a ideia entusiasmou Delibes mas por estar doente não se pôde realizar.

De la Concha recordou que em dezembro passado, na sessão de apresentação da “Nueva Gramática” cuja elaboração “seguiu com extraordinário interesse”, o escritor apesar de não se poder deslocar gravou um vídeo com o seu discurso, “falando em nome dos escritores espanhóis”.

Na sessão discursou Mario Vargas Llosa pelos escritores americanos e à sessão assistiram os Reis.

A voz de Delibes nessa gravação parecia-se "com o sino de um ermita de um qualquer lugarejo castelhano, um desses que ele tanto gostava. Era uma voz que soava como uma cascata, mas uma voz carregada de história e de emoção”.

A ministra espanhola da Cultura, Ángeles González-Sinde, lamentou que “não tivesse havido tempo para que se lhe concedesse o Prémio Nobel”.

A ministra deslocar-se-á a Valladolid para prestar uma última homenagem ao escritor e jornalista que definiu como “incrivelmente fértil, inspirador para outros criadores, pleno de precisão na linguagem, nas personagens e nas ideias. Autor universal, muito lido e traduzido, as suas temáticas continuam atuais e a cada geração se renova e cresce o batalhão de leitores que disfruta e reflecte com as obras de Delibes", referiu a ministra.

O Primeiro-Ministro espanhol, José Luis Zapatero, enviou um teelgrama de pêsames à família em que afirma que Delibes “foi um dos grandes” e “a voz austera de um país afundado no silêncio”.

O escritor Juan Marsé afirmou que Delibes “era um grande narrador” que se respeitava pela “sua discrição e pela sua arte de saber fazer” e por ter retratado “a Castela rural, que conhecia tão bem”.

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