Sita Valles é uma personagem importante mas desconhecida na história contemporânea de Portugal e de Angola, segundo uma biografia que será lançada hoje, em Lisboa, de autoria da jornalista e escritora portuguesa Leonor Figueiredo.
O livro, intitulado «Sita Valles - Revolucionária, Comunista ate à Morte (1951-1977)», de 260 páginas, foi editado pela Alêtheia Editores.
Em Portugal, poucos saberão quem foi Sita Valles, a jovem revolucionária fuzilada há mais de 30 anos em Angola. No entanto, a sua aura continua viva entre gerações de estudantes universitários comunistas e de outras esquerdas que a conheceram, no início dos anos 70, sobretudo nas faculdades de Medicina de Lisboa e Luanda. Foi uma grande líder do movimento estudantil e um quadro estimado da União dos Estudantes Comunistas. Siat Valles teve uma vida muito breve (1951-1977). Mas intensa.
Desde que tomou consciência das injustiças do mundo, não mais deixou de ser um torbilhão político. Muito activa, quer na clandestinidade, quer em democracia, ela lutou por uma sociedades melhor. Sita Valles era uma «luso-angolana». Nasceu em Cabinda, quando ainda pertencia ao império colonial português, e depois da indepedência optou pela nacionalidade angolana.
No 25 de Abril de 1974 estudava Medicina em Lisboa, mas no Verão Quente regressou à que pensava ser a sua terra. Na República Popular de Angola defendeu a ortodoxia soviética em supostos tempos de democracia. Ali acabou por ser acusada, sem direito a contraditório, de ser um dos cérebros do alegado "putsch", 27 de Maio de 1977.
E ali foi fuzilada, pensa-se, em Agosto desse ano.