Segundo o comunicado do júri, o livro de Andrew Miller, uma parábola da Revolução Francesa, “é um romance sem nenhuma fraqueza de um autor que merece um maior reconhecimento”.
“Este livro é uma história emocionante, muito bem escrita e emocionalmente satisfatória”, continua o comunicado, citado pela BBC.
A escolha de Andrew Miller como finalista já tinha sido uma surpresa no início do ano, quando deixou para trás Julian Barnes, vencedor do Man Booker 2011, e apontado como favorito. Desta vez, para o prémio final as apostas centraram-se na biografia do poeta Edward Thomas, escrita por Matthew Hollis, finalista na categoria de biografia.
O escritor de 51 anos recebeu o prémio numa cerimonia na terça-feira à noite, em que todos os finalistas estiveram presentes. Andrew Miller mostrou-se surpreendido e disse até que era “desconcertante” mas “muito agradável” ter sido escolhido.
Sobre o livro, o escritor explicou que a história “é uma Paris da imaginação”. “É como eu gosto de trabalhar. Escrever é uma espécie de sonho organizado. Nós sentamo-nos nos nossos quartos e sonhamos com lugares e pessoas estranhas e depois pomo-los [os sonhos] em execução”, disse Miller, citado pela BBC.
Quando questionado sobre o destino do dinheiro, Andrew Miller confessou que ainda não pensou nisso. “Uma coisa que aprendi foi a não gastar dinheiro que não tenho”, disse em tom de brincadeira, explicando que gastará as 30 mil libras “a viver”.
A concorrer com Andrew Miller, autor de “Oxigénio” (2006) e “Casanova” (2003) – ambos editados pela Editorial Teorema –, estava Christie Watson (finalista na categoria de romance de estreia), Carol Ann Duffy (poesia), Matthew Hollis (biografia), e Moira Young (livro infantil).
Criados em 1971, com a designação de Whitbread Book Awards, os prémios Costa, limitados a autores radicados no Reino Unido ou na Irlanda, e patrocinados desde 2006 pela cadeia de lojas de café e cafetarias Costa Coffee (uma subsidiária da Whitbread), são atribuídos em cinco categorias: romance, primeiro romance, poesia, biografia e livro infantil. Cada um dos escolhidos é premiado com 5000 libras (cerca de seis mil euros), e um deles é depois escolhido como o livro do ano.
Em 2011, o prémio foi para Jo Shapcott, pelo livro de poemas "Of Mutability", inspirado na sua experiência com o cancro da mama. Devido à sua doença, a escritora tinha estado mais dez anos sem publicar nada.
Fonte: Público