Vinte e três anos depois, a banda desenhada espanhola regressa a Angoulême.
A Espanha é o convidado de honra da 39ª edição do mais importante festival europeu dedicado aos quadradinhos, que decorre entre hoje e o próximo domingo naquela cidade francesa.
Tendo como comissário o especialista e crítico Alvaro Pons (ver entrevista), foram programadas numerosas actividades dirigidas aos visitantes, que têm ao dispor uma bedeteca básica com as últimas criações publicadas em Espanha. A vertente expositiva traduz-se numa mostra de mais de 100 autores, com destaque para os vencedores do Premio Nacional del Cómic, atribuído todos os anos pelo ministério da Cultura.
A produção surgida após a queda da ditadura franquista tem um destaque natural, o que equivale a dizer que estarão expostos originais de duas dezenas de autores, entre “históricos” e “modernos” – Carlos Gimenez, Luis Garcia, Enric Siò, Daniel Torres, Miguelanxo Prado, Max ou Juanjo Guarnido, entre tantos outros.
Art Spiegelman, Grande Prémio de 2011 é o presidente do júri que vai atribuir os diferentes prémios do festival (“Fauves d’Angoulême”, nas categorias de Melhor Álbum, Prémio Especial do Júri, Prémio de Melhor Série, Prémio Revelação, Prémio Olhares sobre o Mundo, Prémio Audácia, Prémio Melhor Policial, Prémio Património, Prémio dos Livreiros, Prémio Juventude e Prémio Intergerações). No domingo, ficará também a saber-se quem ganhou o Grande Prémio deste ano, atribuído pela Academia dos anteriores vencedores, para uma carreira dedicada à banda desenhada.
Spiegelman está associado a duas exposições. Uma é a retrospectiva da sua obra, que é muito mais do que o seu consagrado “Maus”. A outra, com a mão de Thierry Groensteen, chama-se “O Museu Privado de Art Spiegelman” e reúne 400 obras de eleição assinadas pelos maiores criadores da história da banda desenhada, entre os quais Chris Ware, Charles Burns e Joe Sacco.
Uma exposição com cerca de 100 pranchas originais da série Philémon mostra a genialidade de Fred, um autor injustamente esquecido nos últimos tempos. Do lado das mostras colectivas, destaca-se a exposição “A Europa desenha-se”, resultado da participação de 50 autores europeus (Enki Bilal, Milo Manara, Baru, Joost Swarte e muitos outros) em torno da identidade europeia.
A singularidade da BD de Taiwan tem lugar na programação do próximo ano, assim como o tradicional espaço para os “Jovens Talentos”. E, pela primeira vez, haverá este ano um espaço de convívio para descobrir a banda desenhada policial.
Fonte: Público