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  • 21 de Maio, 2012
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Novo disco de Boss AC mostra visão mais vasta do hip-hop

Novo disco de Boss AC mostra visão mais vasta do hip-hop

Ao quinto álbum de originais, o músico Boss AC mostra uma visão mais vasta do hip-hop.



'AC para os Amigos', a editar na segunda-feira, tem as rimas e batidas de sempre e um «lado acústico muito mais presente». Sexta-feira (emprego bom já) foi o tema escolhido, «de forma intencional», para levantar o véu do novo trabalho de Boss AC. Não é hip-hop e o músico e produtor sabe-o.

«Independentemente de as pessoas gostarem ou não, é diferente. Se a música começasse e eu não cantasse ias pensar que aquela música era de outra pessoa qualquer. E isso interessa-me, porque gosto de evoluir e trazer coisas novas. Este single diz logo: estou aqui, álbum novo, música nova, vêm aí coisas novas», disse Boss AC em entrevista à Lusa.

AC para os Amigos mostra «um lado mais acústico, tem mais banda, o que é a grande diferença dos outros álbuns».

Apesar disso, é «sem dúvida» um disco de hip-hop. «Mas é um disco do meu hip-hop, da minha visão mais vasta do que é o hip-hop», disse.

O primeiro registo discográfico de Boss AC data de 1994. Nesse ano, o músico integrou Rapública, uma colectânea de artistas portugueses de hip-hop.

Desde então, sempre incorporou «vários elementos» na música que criou e tem «vindo a acentuar essa melomania, o gostar de músicas de várias tendências».

«Cada vez mais assumo esse ecletismo e acho que este álbum reflecte bem isso. Um disco de hip-hop que gravita à volta de outras sonoridades, de várias outras influências», referiu.

A diferença entre AC para os Amigos e os discos anteriores é que «este provavelmente será mais explícito e mais fácil de perceber».

Outra coisa que este álbum tem e o último, Preto no Branco, de 2009, não tinha é «um lado acústico muito mais presente». «A banda está presente em cerca de metade dos temas e torna-se mais fácil perceber esse ecletismo», afirmou.

Nos onze temas que compõem o disco, alguns «vão beber ao gospel e ao soul», outros «têm influências da música popular portuguesa», outros ainda «lembram o Brasil» e «um lado latino».

«E essas coisas todas acabam por fazer sentido porque há qualquer coisa em comum, e a essência é a mesma, que sou eu e a minha visão», defendeu.

Isso nota-se nos convidados. No álbum participa o coro de gospel Shout, Rui Veloso, o cubano Raul Reyes, Débora Gonçalves e o brasileiro Gabriel o Pensador.

Além de interpretar as canções, Boss AC é também produtor, autor e compositor.

«Uma das minhas prioridades é mostrar a minha visão. A produção, apesar de ser um trabalho coordenado por mim, acaba por ser de grupo, porque há sempre troca de ideias com a banda», disse.

Em alguns temas, AC aborda a crise e o desemprego,«de certa forma é crítica, mas é mais uma visão». Um retrato que o músico faz do que vê e vive, em que «a parte da [música de] intervenção está presente».

«O hip-hop é um veículo privilegiado para o fazer, pela forma directa, crua e objectiva como fala das coisas e a minha forma de escrever é muito incisiva. O ‘sexta-feira’, apesar de ser uma música bem-disposta e alegre está a falar de uma coisa séria, de um momento delicado do país», disse.

AC para os Amigos será apresentado oficialmente ao vivo a 1 de Março, em Lisboa. A digressão de apresentação está marcada para Abril e Maio.

Perto de completar 20 anos de carreira, Boss AC considera que foi a «muita perseverança» que lhe permitiu chegar onde está hoje.

«Passei por fases difíceis desde que, em 1997, decidi viver da música, ainda mais hip-hop. Contra tudo e contra todos consegui vingar».

O músico acredita que isso se deve também à coerência. «Tenho-me mantido coerente desde o início», assegura Boss AC, um Gajo Normal que faz música para os amigos.

Fonte: SOL

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