A banda Strëam será recebida na Assembleia da República (AR), dia 6 de Abril, a convite do deputado regional Luiz Fagundes Duarte.
Segundo o político eleito pelos Açores, a visita surge na sequência da passagem da banda de rock açoriana por Lisboa, uma das localidades, aliás, que figura na agenda da digressão de 2010.
“Convidei-os para conversarmos, e reflectirmos em conjunto sobre como é que podemos sentir os Açores, cada um no seu campo de trabalho e interesses”, revela em declarações à “a União”, acrescentando que “se trata de um grupo com um projecto sólido, bem gerido, já com alguma expressão nacional e internacional”.
Os quatro músicos terceirenses, John (voz), Eddie (guitarra), Nuno (bateria) e Toni (guitarra), lançaram o primeiro álbum de originais em Fevereiro último, a nível nacional – “Follow the Stream” contém 12 faixas musicais cuja gravação decorreu nos estúdios IM Studios do Porto, sendo os trabalhos de produção e masterização da responsabilidade de Ivo Magalhães e Pete Doell da Universal Music Studios em Hollywood, respectivamente.
“Gosto de conhecer o que se vai passando pelas nossas ilhas, e sobretudo as pessoas das gerações mais jovens que tentam afirmar-se nas suas áreas de intervenção – nas artes, nas empresas, na investigação científica –, e perceber como se relacionam com as suas origens culturais e como vêem o seu futuro no contexto açoriano e nacional”, sustenta.
Questionado sobre o condão da música que se faz nos Açores, nomeadamente do género rock, no panorama musical nacional, Luiz Fagundes Duarte confessa que conhece pouco mas sublinha a qualidade dos artistas oriundos da Região, “que diariamente tem de lutar contra o isolamento, contra a distância”.
“E, sobretudo, contra a falta de um público que torne economicamente sustentável os projectos de cada banda. As bandas rock, pela atracção que exercem nas pessoas de todas as idades, mas sobretudo as mais jovens, podem ser um excelente veículo de reconhecimento e afirmação dos Açores no contexto nacional”, declara.
“Reaprender a sentir os Açores”
Ainda sobre a obra criativa dos artistas açorianos, na generalidade, o deputado regional diz que é tempo de avançar com ideias novas, sendo necessário “reaprender a sentir os Açores” para além de temáticas relacionadas com as vacas e os cagarros, por exemplo, as quais, critica, têm sido demasiado exaltadas nos últimos anos.
“Sendo reais e efectivos, estão muito longe de representar a essência açoriana. Temos que reaprender a sentir os Açores, e porque não, também, através da música rock feita por músicos açorianos?”, lança a pergunta.
Por outro lado, Luiz Fagundes Duarte concorda que o trabalho de promoção e divulgação seja desenvolvido com base na estratégia “de fora para dentro”, à semelhança da linha orientadora da banda de rock Stream, recordando que “a presença humana nos Açores, e portanto a nossa vida cultural, começou exactamente assim: de fora para dentro”.
“Sozinhos nós não somos nada. Mas se nos soubermos relacionar com os outros, os de fora, comerciar com eles, dando o que temos em troca daquilo que nos falta, poderemos ocupar o nosso lugar no mundo, não como uma curiosidade turística mas como uma parcela da humanidade, minúscula mas real e, sobretudo, muito digna”, defende o politico regional com assento na AR.
Trabalho é preciso
Considerando o trabalho e o estudo determinantes para alcançar o eventual sucesso, o conselho de Luiz Fagundes Duarte aos potenciais jovens artistas passa pela importância da capacidade de auto-avaliação, sem esquecer a pouca probabilidade de conceber “alguma coisa realmente original e nova”.
“Por isso tem que estar sempre a estudar, a investigar, a ver-se ao espelho, a criticar-se, a comparar-se com os outros”, sublinha.
Em suma, remata o deputado, “o reconhecimento não compete a si mas aos outros”.