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  • 10 de Fevereiro, 2012
HOME NOTÍCIAS PORTUGAL FOI O PRIMEIRO PAÍS A INTERNACIONALIZAR TINTIN
Hergé não gostava da repaginação portuguesa

Portugal foi o primeiro país a internacionalizar Tintin

"Aventuras de Tin-Tim na América do Norte" apareceu em 1936 na revista "Papagaio". A correspondência de Hergé com o responsável pela compra dos direitos, o Padre Abel Varzim, estão no Museu Hergé, que abriu esta semana perto de Bruxelas


Entre 1930 e 1934, o jovem Padre Abel Varzim estudou Sociologia na Universidade de Lovaina. Foi lá que tomou contacto com as aventuras de um jovem repórter belga, Tintin. Entretanto, conheceu um outro padre, Norbert Wallez, que publicava um jornal católico com um suplemento juvenil - "Le Petit Vingtième" - onde apareceram os primeiros episódios da obra de Hergé.

Varzim ficou fascinado e quis trazer as Aventuras de Tintin para Portugal. Comprou os direitos da obra e vendeu-os aos responsáveis pela revista juvenil da emissora católica nacional, a Rádio Renascença.

A tradução de "Tintin en Amérique", "Aventuras de Tin-Tim na América do Norte", arranca na edição número 53, a 16 de Abril de 1936. Pela primeira vez, o jovem repórter falava outra língua que não o francês, com que já tinha conquistado a França e a Suiça. Pela primeira vez também vivia a cores.

Quando recebeu as revistas, Hergé gostou. Só criticou a repaginação, argumentando que alterava o efeito de "suspense". "Os desenhos são concebidos como num folhetim, para terminar em cada semana com um desenho palpitante, para melhor manter o editor interessado", explicava numa carta ao Padre Varzim, citada pela Agência Lusa.

Esta correspondência pertence à Fundação Hergé, que a inclui agora na colecção do recém-inaugurado Museu Hergé, em Louvain-la-Neuve, perto de Bruxelas.

Tintim viveu nas páginas da revista "O Papagaio" durante 12 anos, tempo suficiente para nove aventuras. E, também, para arrebatar um dos maiores divulgadores da banda-desenhada em Portugal, Adolfo Simões Müller, que o levou depois para outros voos: as revistas "Diabrete", "Cavaleiro Andante", "Foguetão" e "Zorro". Em 1968 surgiu ainda a versão portuguesa da "Tintin, a revista dos jovens dos 7 aos 77 anos".

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