Não vai ser um 'Lear' em versão feminina e não vai ser com encenação de Diogo Infante mas, em Maio, a atriz Eunice Munoz vai estar no palco principal do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, com 'O Comboio da Madrugada', o espetáculo encenado por Carlos Avilez, que se estreou no ano passado no Teatro Experimental de Cascais. .
Esta foi a forma que João Mota, o novo diretor do teatro, encontrou para contornar os pesados cortes orçamentais. Em vez de 'Lear' - uma grande produção, a partir de Shakespeare, com texto adaptado por Maria João Brilhante e que, no elenco, além de Eunice contaria com João Perry, Ruy Mendes e Natália Luiza - o Teatro Nacional vai acolher, entre 10 de Maio e 17 de Junho, o espetáculo produzido pelo TEC. Com menos custos para o Nacional e com a atriz que tanto público atrai.
Outra medida de crise: a atriz Manuela Couto, que deveria participar em 'Lear', vai estar na Sala Estúdio com o monólogo 'Onde estavas quando criei o mundo?', de Artur Ribeiro. O espetáculo, encenado pelo próprio João Mota, estará em cena entre 12 de Abril e 13 de Maio.
Para substituir os dois espetáculos que deveriam vir do Teatro Nacional de São João, no Porto (e que não virão, porque o São João também teve cortes no seu orçamento e optou por eliminar esta deslocação), João Mota vai buscar 'Frei Luís de Sousa', uma pequena produção do Teatro da Garagem para a Sala Estúdio (9-19 de Fevereiro) e uma produção da Comuna com a sua assinatura e já estreada no ano passado no Teatro da Trindade: 'As aventuras de João Sem Medo' (Sala Garrett, algumas datas entre Fevereiro e Abril). Almeida Garrett e José Gomes Ferreira numa programação que quer, segundo o diretor, "dar uma palavra especial aos autores portugueses, desde os mais clássicos aos mais contemporâneos".
Mantém-se o resto da temporada, incluindo 'A Morte de Danton', co-produção com os Artistas Unidos e Guimarães Capital da Cultura, e encenação de Jorge Silva Melo (15 de Março a 22 de Abril), as colaborações com o FIMFA - Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas (Maio), o Festival Alkantara (com 'Três Dedos Abaixo do Joelho', uma peça de Tiago Rodrigues, no final de Maio) e o Festival de Almada (Julho).
"A manifestação artística é essencial nestes momentos de crise. Ela anuncia futuros, inquieta-nos, alerta-nos, sem ser uma coisa imediatista, mas mantendo essa força original que os mais jovens têm dentro de si", escreve João Mota no texto que acompanha a programação desta temporada, e no qual sublinha a importância de trabalhar para os públicos mais novos. "Temos de ter a coragem de cometer erros e de dar coragem à coragem dos mais novos. Esta parece-me ser a função desta programação", explica.
Fonte: DN